
O Sul da grande floresta. Um local de transição entre as altas arvores do terreno alagado com as plantas rasteiras das grandes planícies centrais. A vegetação é muito variável, entre grandes arvores para pequenos arbustos. Os animais também variavam. Tinha milhares de espécies de aves e mamíferos naqueles vales a planícies. Um local de transição Um local que tem um pouco de todos os ecossistemas. Um centro da natureza. O centro do novo mundo.
Um lugar perfeito para se viver. Em meio toda aquela variedade existia uma vila. O povo ali havia chegado do sul, eram refugiados. Buscavam ali uma vida mais livre e acharam. No sul havia os colonos, amistosos, cruéis, caridosos, ladrões. Um povo muito instável e perigoso.
A vida ali era simples, caça, pesca hortas. O povo estava satisfeito, todos ali eram Maoáris e conseguiam viver em paz com suas próprias tradições.
Akhentupã era um aprendiz na vila, seguia os caminhos de seu pai, faltava muito para alcançá-lo, mas estava fazendo bastante progresso. O trabalho espiritual era um exercício desafiador, mas aquelas terras ao qual se encontravam, o centro do mundo, era um ponto cravado de espíritos. Seu pai dizia que aquele era o melhor lugar para contatá-los e conhecê-los melhor.
Naquele dia chegaram mensageiros de longe, eram todos índios e estavam muito sérios. O pai de Akhentupã ficou muito preocupado com a noticia e decidiu fazer uma reunião.
Era de tarde e todos os homens da tribo fizeram um círculo, todos sentados e com uma aparência muito seria no ar.
- Povo! Mensageiros de longe chegaram com noticias ruins, precisamos decidir certas atitudes. Diga as noticias. - Disse o pajé para um dos mensageiros.
- Trago noticias da tribo Nanuques do sul da serra do mar. - Começou o mensageiro. - A tribo foi dizimada. Não sabemos quem é que esta por traz dessa atitude, mas como eram nossos aliados precisamos tomar providencias.
- O que aconteceu com o povo dela? - Perguntou um dos guerreiros da vila.
- Não sabemos, mas parece que não morreram todos.
- Mas as noticias não param por ai. O pequeno vilarejo dos Uripi também foi capturado. - Disse outro mensageiro.
- O que?!! Isso significa que dois do circulo foram capturados?!! – Gritou um homem.
- Na verdade... Todos os outros oito foram capturados também. Todo o círculo do tatá (fogo) foi aprisionado.
Todo o povo do vilarejo cai em pânico. Todos começam a gritar. O pajé chefe coloca a mão na cabeça e demonstra muita preocupação, mas volta a falar fazendo todos entrarem em silencio.
- Nem tudo esta perdido. O retorno do boitatá está próximo, ele pode nos ajudar.
- Você não acha que ele estará irritado com nos? - Perguntou um dos homens do vilarejo.
- O espírito da floresta nunca fica irritado com aquele que vive ela dentro de sua alma, aquele que a protege, aquele que a ama, nunca!
- Mas quem ira entrar em contato com ele? Pois o senhor não pode nos deixar, não nessa situação.
- Não ha ninguém preparado para se encontrar com o grande espírito, nem eu estou. - Admitiu o pajé.
- Então quem irá?
- Aquele que é o elo entre os homens e a floresta pode encontrar o grande espírito, mas nunca estará preparado para ver o espírito. Ele julgara aquele em sua frente e seu destino será traçado ali, nem eu sei o que me aguardaria se o encontrasse. Quem for devera arriscar seu próprio espírito para poder conversar com o grande protetor dessas terras.
- O senhor sabe quem devera ir? - Perguntou um dos homens próximo ao pajé.
- Sim, mas antes precisamos testá-lo. Akhentupã, se você acredita em seu espírito venha aqui, para o centro do circulo.
Todos os homens se levantam.

O que fará?